Idosos passam horas em jejum, perdem viagens por falta de orientação e ainda enfrentam funcionários mal-humorados, segundo familiares
Cobrança de clínica particular, mas atendimento que pacientes classificam como desorganizado, insensível e desumano. Essa é a realidade relatada por pessoas que procuram a Clínica São Roque, em Ipiaú, e enfrentam longas esperas, falta de informações e pouca disposição dos funcionários para ouvir reclamações.
Uma idosa de 90 anos, que viaja cerca de 80 quilômetros para chegar à unidade, precisou esperar praticamente o dia inteiro, em jejum, fraca e usando fralda. Apesar da idade e das condições físicas, não teria recebido prioridade. O atendimento só foi antecipado porque outra paciente, que realizaria um procedimento relacionado à mama, sensibilizou-se e cedeu seu lugar.
A idosa já esteve na clínica três vezes e, depois das experiências vividas, não quer mais retornar.
Em outro episódio, uma senhora com quase 90 anos permaneceu por mais de três horas esperando um paciente sair do consultório. Mais tarde, perceberam que o médico estava sozinho na sala. Ninguém teria conferido a situação durante todo aquele tempo.
Também há reclamações sobre a falta de orientação antes dos exames. Uma paciente de 85 anos viajou até Ipiaú, mas perdeu o procedimento porque tomou o medicamento para diabetes. Segundo a família, a clínica não explicou previamente que o remédio não poderia ser utilizado.
Além da demora, pacientes relatam funcionários frequentemente mal-humorados, pouco receptivos e sem disposição para ouvir quem tenta reclamar ou pedir informações. Em um ambiente de saúde, onde chegam pessoas idosas, fragilizadas e preocupadas, esse comportamento torna a espera ainda mais angustiante.
A estrutura física também é criticada. O prédio apresenta aparência antiga, pintura desgastada, reboco externo deteriorado e instalações consideradas ultrapassadas — um cenário que contrasta com os valores cobrados por consultas e exames.
Não se trata de exigir luxo nem atendimento exclusivo. Trata-se de cobrar o mínimo: organização, informação, prioridade, respeito e humanidade. Uma pessoa de 90 anos, debilitada, em jejum e usando fralda não pode ser abandonada durante horas em uma sala de espera.
Segundo pacientes, embora a São Roque seja particular, o atendimento consegue ser pior do que o encontrado em muitas unidades públicas. A pergunta que fica é direta: quanto sofrimento ainda será necessário para que a direção da clínica escute quem paga e depende dos seus serviços?
Matéria totalmente sensacionalista