Cavalona do Pó: Luxo

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Cavalona do pó: luxo nas redes pode esconder esquema milionário com tráfico e bets

A prisão da empresária e influenciadora amazonense Mirian Mônica da Silva Viana, conhecida como “Cavalona do pó”, colocou seu nome no centro das investigações da Operação Resina Oculta, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na última quinta-feira (19/3). Ela é apontada como peça-chave em um esquema nacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro envolvendo plataformas clandestinas de apostas online.

Com mais de 50 mil seguidores no Instagram, Mirian compartilhava uma rotina marcada por ostentação. Em suas redes sociais, eram frequentes registros de viagens para destinos paradisíacos no Brasil e no exterior, hospedagens em resorts de luxo e imagens que destacavam um estilo de vida sofisticado, com forte investimento em estética e aparência.

Por trás dessa imagem pública, no entanto, as investigações conduzidas pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) indicam que ela desempenhava papel relevante dentro de uma organização criminosa estruturada.

Ostentação nas redes sociais

Nas publicações, a influenciadora construía uma imagem de sucesso, poder e prosperidade. Entre cenários de praias exclusivas e destinos de clima frio, aparecia em passeios de lancha, hotéis de alto padrão e ambientes luxuosos, frequentemente vestindo roupas de grife.

Segundo os investigadores, o padrão de vida exibido nas redes sociais é incompatível com a renda formal declarada. A suspeita é de que o conteúdo também servia como uma forma de legitimar recursos de origem ilícita, criando uma aparência de sucesso empresarial enquanto valores provenientes do tráfico circulavam nos bastidores.

Prisão em rodovia

Mirian já havia sido presa anteriormente, em 15 de dezembro de 2025, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-060, em Rio Verde (GO). Na ocasião, dois veículos viajavam juntos:

  • Um Hyundai Creta, onde ela estava, atuava como “batedor”, monitorando possíveis fiscalizações

  • Um VW T-Cross transportava cerca de 29,7 kg de skunk escondidos nas portas e no porta-malas

O motorista do carro com a droga afirmou que havia recebido o entorpecente em Manaus (AM) e que faria a entrega em Brasília mediante pagamento. Todos os envolvidos eram da mesma cidade e se conheciam, o que reforça a suspeita de atuação coordenada.

Empresa usada para lavagem de dinheiro

As investigações apontam que uma empresa ligada à influenciadora, uma loja de calçados, teria sido utilizada para lavar dinheiro do tráfico. Ao longo de 2025, o negócio recebeu valores de diversos traficantes do Distrito Federal, incluindo pessoas ligadas à apreensão de cerca de 50 kg de haxixe que deu origem à operação.

A movimentação financeira reforça a hipótese de que a empresa funcionava como fachada para dissimular recursos ilícitos.

Estrutura do esquema

A Operação Resina Oculta teve início em 9 de outubro de 2025, após a apreensão de 47,4 kg de haxixe e 877 g de skunk no Riacho Fundo (DF). A partir disso, foi identificada uma rede organizada que atuava como entreposto de drogas, abastecendo traficantes no Distrito Federal e região do Entorno.

O grupo utilizava diferentes estratégias para ocultar e movimentar o dinheiro, como:

  • Empresas de fachada em vários estados

  • Uso de “laranjas” para ocultação de patrimônio

  • Plataformas ilegais de apostas online (“bets”) para lavagem de dinheiro

Os valores eram distribuídos por diversas regiões do país, especialmente no Norte, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Medidas judiciais e desdobramentos

Durante a operação, foram cumpridos:

  • 41 mandados de busca e apreensão

  • 9 mandados de prisão

  • Bloqueio de contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas, com limite de até R$ 15 milhões por alvo

  • Sequestro de veículos de luxo

No caso de Mirian, a Justiça determinou sua prisão temporária e o bloqueio de contas bancárias. Posteriormente, em 13 de março de 2026, ela passou a cumprir prisão domiciliar por decisão judicial.

A Polícia Civil destaca que o esquema envolvia dezenas de pessoas e possuía uma estrutura sofisticada de movimentação financeira. Novas fases da operação não estão descartadas, e as investigações seguem em andamento para desarticular completamente a organização criminosa.

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